França não é Portugal

“Ah! Saudades do tempo em que éramos jovens e inocentes! Isto é, a passada sexta-feira, quando a França de Hollande era uma “alternativa à austeridade” de Merkel, um “exemplo de política de crescimento”.Bastou o fim-de-semana e (surpresa!) o novo governo francês apresentou um programa de austeridade. Compreende-se assim melhor porque é que Hollande apareceu junto do coro dos pedintes da cimeira europeia, aqueles que se esqueceram do crescimento mas não de diversos estratagemas para injectar dinheiro em bancos e países falidos.É que talvez venham a ser precisos para a própria França. Compreende-se também porque coincidiram as notícias do pacote de austeridade com as das buscas à residência de Sarkozy. Toda a gente se esqueceu de umas para só falar das outras. Afinal não havia nenhuma “alternativa de crescimento” à “austeridade”. O que também não quer dizer que a “austeridade” seja a solução. Como sempre se suspeitou, a França é só o maior dos PIGS e, como eles, também entrou na estrada para nenhures em que já estávamos. Soyez les bienvenus!”

Luciano Amaral, Mal por mal, jornal Correio da Manhã, 6 de Julho 2012

Crescimento económico

“Crescimento sim, se for a produzir coisas que o mundo compre. Preferiria chamar-lhe competitividade. Crescimento não, se for para para regressar a um caminho de aumento da despesa e da dívida pública. Deste, já tivemos o suficiente.”

Daniel Bessa, jornal Expresso , Economia, 2 Junho 2012, pág. 3