Onésimo e a Utopia (4)

“Recorrer ao marxismo hoje é tão quixotesco como querer levar as pessoas de volta à igreja. O marxismo era uma fé e não vejo como ressuscitá-la. Quem de nós estará disposto a abdicar da sua liberdade de expressão? Não faltará certamente é quem esteja pronto para retirar esse direito aos outros.”

Entrevista Onésimo Teotónio de Almeida, Utopia em Dói Menor, António Rodrigues, jornal Público, ípsilon, 23 novembro 2012, pag. 17

Onésimo e a Utopia (3)

“Shakespeare entendeu como ninguém no mundo das artes a complexidade da natureza humana. Marx era demasiado ideólogo e estava convencido de que o mal do mundo era o capitalismo e de que quando este acabasse tudo ficaria bem, esquecendo-se de que os seres humanos no dia-a-dia, têm todas aquelas camadas negras que o Shakespeare apontou e que nunca desaparecem.”

Entrevista Onésimo Teotónio de Almeida, Utopia em Dói Menor, António Rodrigues, jornal Público, ípsilon, 23 novembro 2012, pag. 17

Onésimo e a Utopia (2)

“Lembro-me do Theodor Roszak dizer, no “Para uma Contracultura”, nos anos 60: “Eu tenho planos claríssimos para mudar o mundo, não sei é como é que vou mudar a mentalidade do merceeiro da minha rua”. O grande erro do Marx foi não perceber a natureza humana, tão obcecado estava com um conjunto de ideias e ideais. O capitalismo é feito pelos homens e os seres humanos são muito mais complexos, muito mais mesquinhos; não é possível criar o paraíso na terra. E o que se pode fazer é criar regras de convivência, para que cada um tenho o seu espaço de liberdade.”

Entrevista Onésimo Teotónio de Almeida, Utopia em Dói Menor, António Rodrigues, jornal Público, ípsilon, 23 novembro 2012, pag. 17

Onésimo e a Utopia (1)

“… como diz sobre os outros Onésimo, “ler os filósofos é importante para não cairmos em desperdícios de tempo a reinventar a roda.”

Utopia em Dói Menor, Um livro sem piadas, António Rodrigues, jornal Público, ípsilon, 23 novembro 2012, pag. 37

A Europa

“Com a dissolução do império inglês, do império francês, do império holandês, como de resto em 1989 do império soviético, as condições que permitiam a bela vida da Europa Ocidental caíram uma a uma. Mas ficou a ilusão de que os “direitos” da “era gloriosa” permaneciam: o direito ao pleno emprego, ao Estado providência, a uma infinita lista de “prestações” que o contribuinte pagava e, naturalmente à promoção social.

Durante meio século, e perante a impossibilidade de trazer o eleitorado à terra, a Europa (e na Europa os países mais pobres) viveu uma vida crescentemente artificial. Chegou agora a altura de pagar a conta com juros. Da Grécia a Portugal e de Portugal à Alemanha. Não adianta muito protestar. A nostalgia não paga dívidas.”

Vasco Pulido Valente, jornal Público, 16 Novembro 2012

As reformas estruturais

“Após as reformas estruturais, impulsionadas por Gerhard Schroder e que lhe custaram a reeleição, reformas que foram do corte dos benefícios e prestações sociais à flexibilização da lei laboral e ao aumento da idade da reforma, a economia alemã tornou-se mais forte e menos vulnerável a crises.”

Helena Ferro de Gouveia, A reinvenção da Alemanha, XXI Ter Opinião 2013, nº 2, Novembro 2012

Fábricas abandonadas

“A adopção do euro levou a que as empresas se voltassem para o mercado interno, especializando-se na produção de bens e serviços protegidos da concorrência externa.

Tal deriva fez desindustrializar o país.

O peso conjunto da agricultura, da indústria e da parte transaccionável do turismo no PIB desceu de cerca de 30% em 1995 para pouco mais de 22% em 2008.”

João Ferreira do Amaral, O custo de uma utopia, XXI Ter Opinião 2013, nº 2, Novembro 2012

Quando o querer não é poder

“Nós não vamos poder levar para a frente o modelo em que funcionamos até aqui”, afirma Vítor Bento à margem do Seminário “Orçamento do Estado 2013 – O Regresso aos Mercados e o Futuro da Economia Portuguesa”.

O “modelo que eu chamo o modelo de vendas a crédito e que levou a que dívida pública tivesse aumentado de 14% em 1974 ate 120% em que está hoje (…) só foi possível enquanto era possível haver financiamento” nos mercados externos e “isso hoje acabou”, frisa.

Por isso, “temos de nos habituar a conter dentro dos recursos que temos”. “Os recursos são por natureza limitados, temos que procurar as combinações desses recursos e temos aprender a conciliar uma outra coisa: o que queremos com o que podemos. E quando não podemos tudo o que queremos temos de ajustar o que queremos ao que podemos”, acrescentou.

Vítor Bento, citado pelo Jornal de Negócios, 15 Novembro 2012

Duvidar sempre

“A dúvida é o princípio da sabedoria”

Aristóteles (-382/-322), filósofo e cientista da Grécia Antiga, citado pelo Jornal Publico de 5 Novembro 2012

Subir a montanha

“Depois de termos conseguido subir a uma grande montanha, só descobrimos que existem ainda mais grandes montanhas para subir.”

Nelson Mandela, (1918), citado do jornal Publico, 2 Novembro 2012