Joaquim Benite

“Os encenadores nunca ficam na história. Só os escritores, como o Shakespeare.

Sabe, acho que vale a pena viver para nos divertirmos. Lutar por coisas, para cumprir missões, não.

O teatro é um sinal de civilização que está na origem da sociedade. Até nos animais. Quando chego a casa o meu cão faz uma dança que parece egípcia, pá. São rituais de representação.

Mas o teatro não tem missão nenhuma. É uma coisa que as pessoas fazem porque gostam e as outras vêem porque lhes dá prazer.”

Entrevistado por Vanda Marques para o jornal i em 01 de Julho de 2011  

“Um grande Estado Social”

“Numa apresentação esta manhã na sede da Ordem dos Economistas, Selassie explicou que o Fundo Monetário Internacional não se opõe a um Estado Social maior e mais inclusivo. No entanto, terá de ser acompanhado por uma carga fiscal adequada para o conseguir pagar.

“Têm de ser vocês a decidir o nível de carga fiscal, sabendo que o défice tem de ser contido”, afirmou. “Não há nada de errado em ter um grande Estado Social, mas tem de ser financiado”, acrescentou, referindo que Portugal pode querer ter um modelo escandinavo que invista em prestações sociais, mas “tem de ter um sector exportador muito dinâmico que impulsione o crescimento”.

O economista do FMI sublinhou que a decisão do caminho a tomar caberá aos portugueses, mas lembrou que, actualmente, o Estado Social português é bastante ineficiente. “Apesar de gastarem muito em pensões, a capacidade de aliviar a pobreza entre os idosos é limitada. Há países que gastam o mesmo e são muito mais eficazes.””

Abebe Selassie, na Ordem dos Economistas, citado por Jornal de Negócios de 12 Dezembro 2012

The good guys lost

Everybody knows that the dice are loaded
Everybody rolls with their fingers crossed
Everybody knows that the war is over
Everybody knows the good guys lost
Everybody knows the fight was fixed
The poor stay poor, the rich get rich
That’s how it goes
Everybody knows

Leonard Cohen, Everybody knows, I’m Your Man, Sony Music, 1988

Sair do euro

“Na homenagem a Ferreira do Amaral, que se vai reformar do seu cargo de professor no ISEG, vários oradores (entre os quais o ministro das Finanças e o governador do Banco de Portugal) notaram que o economista foi das poucas vozes a opor-se à adesão de Portugal à moeda única.

Ferreira do Amaral recordou-o e voltou a apresentar a sua argumentação de que a única saída para a crise económica é através de um “choque competitivo” que resulte de uma “desvalorização cambial” – o que implicaria Portugal voltar a ter controlo da sua política monetária, ou seja, sair do euro.”

Homenagem no ISEG ao Professor João Ferreira do Amaral, jornal ionline e agência Lusa, 14 Dezembro 2012

17 países no euro, 27 na UE

“A União Europeia (UE) recebeu o Prémio Nobel da Paz e os seus representantes foram a Oslo defender o euro como indissociável do “projecto europeu”.”

“Todos eles, como muita gente para além deles, acham que o fim do euro é o fim da UE.

Perante isto, vale a pena lembrar uma coisa simples: o euro não é a UE.

Há 17 países no euro, mas 27 na UE.

O presidente do Comité Nobel celebrou o milagre da UE, que “transformou um continente de guerra num continente de paz”. Pois hoje, o euro é a maior ameaça de reversão do milagre.

O radicalismo apocalíptico que diz que o fim do euro é o fim da UE desaconselha-se por outra razão simples: pode vir o dia (e ele é bastante provável) em que os responsáveis políticos europeus cheguem à conclusão de que não é possível manter o euro.

E nesse dia não os queremos a pensar que estão a acabar com a UE.

Muito pelo contrário, queremo-los a pensar que estão a acabar com o euro para salvar a UE, cujos aspectos principais são a cooperação entre países e a liberdade de circulação (económica e pessoal).

Acabar com o euro não é fácil. Não vale a pena torná-lo ainda mais difícil.”

Luciano Amaral, Deixem-nos em paz, Correio da Manhã, 14 Dezembro 2012

A Super Diva de Catarina Molder

Catarina Molder, a soprano protagonista e autora do programa televisivo SuperDiva – Ópera para todos , vai trazer à Fábrica do Braço de Prata, em Dezembro, três “menús”líricos, contrastantes, que prometem noites muito bem passadas.

O primeiro menú com o pianista Filipe Raposo é dedicado ao cabaret alemão, visitando os grandes clássicos de Friedrich Hollaender de sugestivos cambiantes amorosos – “Da cabeça aos pés para amar” (7 de dezembro), e a ilusão e desilusão amorosa com Kurt Weill – “Mostra-me o caminho do próximo bar” (8 de dezembro).

No segundo menú lírico, “Duetos e desvarios…” (14 e 15 de dezembro) com a cumplicidade do barítono Rui Baeta e do piano de João Espírito Santo. Vários casais de protagonistas operáticos, contam e cantam a sua história, numa trajectória que vai do Don Giovanni à Flauta Mágica de Mozart, passando pela Traviatta de Verdi até à Viúva Alegre de Lehar e ao Porgy and Bess.“Entre marido e mulher ninguém mete a colher”, diz o ditado, mas na ópera podemos ficar a assistir.

Para terminar, no ultimo menú, a grande cena de conflito final entre a cantora Tosca e o pérfido barão Scarpia encarnado pelo barítono Luis Rodrigues, com o excerto do famoso 2º acto da Tosca de Puccini (21 e 22 de dezembro). Para finalizar, há um momento de descoberta, com conversa com o publico, onde se poderão colocar questões e curiosidades sobre esta ópera em particular e o mundo da ópera em geral.

Em Dezembro a Fábrica Braço de Prata apresenta o Mês da Ópera

Conferir em www.bracodeprata.net/